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Afinal, o que é Portugal?
Por Antoine Bonheur Petit-Garçon – 24 de Novembro de 2025
Portugal é uma invenção. Uma invenção tão bem contada que já dura há séculos. É como aquelas histórias que se repetem de geração em geração até que ninguém se lembra de quem as inventou — e de repente já são tradição.
Na Praça da Fundação, dois sábios discutem o tema com gravidade académica: identidade nacional, fronteiras antigas, língua comum, estereótipos partilhados. Mas a ironia é que, enquanto eles falam, lá fora alguém está a discutir se o pastel de nata é melhor em Belém ou em Alcântara. Eis a verdadeira identidade nacional: o debate eterno sobre coisas aparentemente pequenas, mas que definem o país mais do que tratados internacionais.
Portugal é uma construção, dizem. Pois claro. Uma construção feita de saudade, fado e futebol. Uma construção que se sustenta em frases como “temos as fronteiras mais antigas da Europa” — como se isso fosse medalha olímpica. Uma construção que insiste em diferenciar norte e sul, litoral e interior, mas que se une sempre quando é preciso reclamar da Espanha ou celebrar um golo contra a França.
A Fundação celebra 15 anos de ensaios, 1,4 milhões de exemplares distribuídos. É bonito. Mas Portugal não se mede em livros. Mede-se em filas para comprar bilhetes do Benfica, em discussões sobre se o bacalhau deve ser demolhado 24 ou 48 horas, em queixas sobre o preço da gasolina e em aplausos ao Cristiano Ronaldo.
No fundo, Portugal é isto: uma ficção coletiva que só existe porque acreditamos nela. Uma ficção que se alimenta de símbolos, de histórias e de contradições. Uma ficção que consegue ser ao mesmo tempo melancólica e orgulhosa, pobre e sofisticada, provinciana e cosmopolita.
Conclusão irónica: Portugal é uma ideia. Uma ideia que se repete há séculos, que se imprime em ensaios e que se canta em fado. Uma ideia que não existe no mapa, mas existe no coração. E como todas as boas ideias, só dura porque ninguém tem coragem de admitir que é, afinal, uma bela aldrabice coletiva.